segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O Mágico de Oz: Uma Magia Poderosa e Duradoura


Fábio Trindade
Fotos: Alessandro Rosman
DA AGÊNCIA ANHANGUERA

Os últimos testes de luz e alguns acertos ainda eram feitos no palco, que estava com a cortina fechada, até que, de repente, como se estivesse passeando num parque, uma bruxa verde, queixuda, nariguda, com os cabelos vermelhos e um vestido espalhafatoso sai da coxia e percorre toda a extensão do tablado. Ela para, ajeita o figurino e, discretamente, dá um sorrisinhos e fica olhando para a plateia, esperando a sua deixa. Era impossível reconhecer quem estava por trás de toda aquela indumentária. O diretor e tradutor Cláudio Botelho sai da plateia e fala com ela, que vai embora da mesma forma como entrou: tímida.

A mesma nariguda verde que volta ao palco na hora do "valendo" nem de longe lembra a distraída de minutos atrás. E nem poderia ser diferente, afinal, a tal bruxa não é qualquer uma por ai de um reino esquecido. Trata-se da maligna Bruxa Má do Oeste, o pior pesadelo da frágil Dorothy e de toda Oz. Assim como não dá para ficar indiferente a quem dá vida a ela. Tanto que basta Heloísa Périssé começar a disparar broncas e reclamações aos seus súditos no castelo sombrio montado no Teatro Alfa, em São Paulo, para o clima na sala mudar durante a apresentação para imprensa do musical O Mágico de Oz, que entrou em cartaz este final de semana na cidade.

Com um humor escrachado e ao mesmo tempo leve, Heloísa embarca na grandiosa produção do clássico filme de 1939 substituindo Maria Clara Gueiros após uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro. "Eu a vi no Rio, eu vi os vídeos para conhecer a bruxa dela, para depois criar a minha. Eu acho que a bruxa dela é mais decidida, irônica. A minha é mais deprimida, passa por alguns conflitos internos. É uma bruxa bipolar", brinca a atriz, que faz tudo parecer improviso, mesmo sabendo que em musicais como esse cada fala e marcação são milimetricamente ensaiadas.

L. Frank Baum publicou O Mágico de Oz em 1900 e trouxe ao mundo a órfã Dorothy, que vive no tranquilo estado do Kansas com os tios Emily e Henry, até que um ciclone arrasta sua casa e ela vai parar, junto com o cãozinho Totó, na Terra de Oz. A casa cai no reino dos Munchkins, bem em cima de Bruxa Má do Leste, matando-a. A jovem herda os sapatos brilhantes da malvada e é aconselhada a seguir pela estrada de tijolos amarelos até a Cidade das Esmeraldas, onde poderá pedir ajuda ao Mágico para voltar para casa. O enrendo ganhou fama com o célebre longa-metragem estrelado por Judy Garland e, de lá pra cá, nunca esteve fora do centro da indústria mundial de entretenimento. Tanto que novas edições da obra, exposições e até um filme – Oz: Mágico e Poderoso, superprodução da Disney dirigida por Sam Raimi e estrelada por James Franco – resgatam a trama de L. Frank Baum (confira mais no quadro).

A montagem brasileira, assinada por Charles Möeller e Claudio Botelho – responsáveis por musicais como Hair, A Noviça Rebelde, Gypsy e Um Violinista no Telhado - é baseada na única adaptação autorizada para o teatro, feita pela Royal Shakespeare Company, seguindo praticamente todo o roteiro do filme, trazendo, inclusive, números cortados da versão cinematográfica.

A talentosa Malu Rodrigues, de apenas 19 anos, mas com seis produções no currículo, lidera um elenco de 35 atores e 16 músicos ao encarnar o emblemático papel de Garland. Pressão? "Durante o período dos ensaios, audição e tudo mais, eu nunca parei para pensar nisso ou no que as pessoas iam achar. Hoje, eu também penso assim, porque a gente não tem como agradar todo mundo. Tem gente que vai gostar, outras não, mas a pessoa que eu mais torço que esteja orgulhosa é a Judy Garland, lá em cima. É um personagem emblemático sim, mas não só por ter sido feito por ela, mas por ser incrível, bem construído. Foi um presente que o Cláudio e o Charles me deram depois de tantos trabalhos juntos."

Elenco

Para os idealizados, Luiz Carlos Miéle sempre foi o nome para dar vida ao Mágico. Tanto que, para isso, Botelho pediu autorização para escrever uma canção exlusiva para o personagem e, assim Miéle aceitar o papel. "Sempre quis fazer um musical e quando me convidaram para esse foi uma alegria e uma decepção", revelou o ator. Quando disseram que era para ser o Mágico, ele percebeu que não iria cantar ou dançar. "Fiquei tristíssimo. Falei que era melhor deixar, que eu ia esperar um outro, se é que um dia fosse aparecer outro." Dois dias depois, ligaram para Miéle para contar que Botelho tinha conseguido uma licença especial para escrever uma canção especial para ele, algo que não existe em nenhuma outra montagem. "Devia ter exigido isso também", brincou Heloísa, já que ela se disse também frustrada por não cantar. "Estou em um musical em que eu só falo o texto. Mas não tem problema, outras coisas virão."

Lucio Mauro Filho, que faz sua estreia no gênero, vive o Leão Covarde. Com trejeitos homossexuais e piadas nada infantis, a proposta chegou a assustá-lo no início. "Quando li o texto pela primeira vez e vi a piada da lata (no belo número As Papoulas, o Leão tira do bolso o objeto e diz que o efeito das flores é tão forte que sentou em cima da lata e nem sentiu), fui no Cláudio e perguntei se era isso mesmo. E ele me respondeu: Está no original (risos). Para a minha surpresa, era mesmo do original e percebi, de fato, que era uma história contada para todas as idades, com piadas de diferentes tons. Claro que ficamos com a preocupação de se vai incomodar, ofender, mas, durante toda a temporada no Rio, ficou claro que a maldade está apenas na cabeça do adulto."

O versátil André Torquato, revelado em Gypsy e estrela de Priscilla - Rainha do Deserto, e Nicola Lama, que ganhou destaque pelo ótimo desempenho em Um Violinista no Telhado, completam o trio o de amigos que ajuda Dorothy a seguir pela estrada dos tijolos amarelos como, respectivamente, Espantalho e o Homem de Lata.

Serviço

O quê: Musical O Mágico de Oz
Quando: Até 26/05, sextas às 21h30, sábados às 16h e 20h, domingos às 15h e 19h
Onde: Teatro Alfa (R. Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, São Paulo, fone: (11) 5693-4000
Quanto: de R$ 40,00 a R$ 180,00
Classificação: Livre
Duração: 150 minutos (com intervalo de 15 minutos) 




sábado, 2 de fevereiro de 2013

Crítica: Os Miseráveis (Les Misérables) peca em versão cinematográfica com Hathaway e Jackman

Anne Hathaway na cena do musical Les Misérables (Os Miseráveis) em que canta a famosa música I Dreamed a Dream

Fábio Trindade

Com a voz embargada, um sofrimento pulsante, um cenário caótico, sem contar o texto impecável, Anne Hathaway conquistou o meio cinematográfico ao dar vida a Fantine e interpretar a famosa canção I Dreamed a Dream na versão para as telonas do clássico musical Les Misérables, em cartaz há 28 anos em Londres. Tom Hooper (O Discurso do Rei) quis, indiscutivelmente, que seus atores cantassem ao vivo em todas as cenas, sem qualquer tipo de playback, contando apenas com um piano para acompanhar as tomadas. Algo jamais feito no cinema. Essa foi, sem dúvida, a melhor decisão que ele poderia ter tomado para transportar dos palcos para o cinema algo tão marcante e intenso. Por isso, falar em Os Miseráveis, em cartaz desde ontem, é falar no plano-sequência de quase três minutos, todo em close-up, protagonizado por Anne. Pouco importa se ela sabe cantar ou se a afinação é duvidosa. A carga dramática é simplesmente real, como se ela estivesse bem ali, na sua frente, e pudéssemos sentir a dor que aquela mulher está passando. Tanto que o Oscar de melhor atriz coadjuvante é praticamente certo para ela.

Hugh Jackman interpreta Jean Valjean: papel da vida
Mas Os Miseráveis, por mais que só se citem I Dreamed a Dream, está muito além da Fantine de Anne. Aliás, Hugh Jackman, no papel de Jean Valjean, faz praticamente durante todo o filme o que a colega fez, com a mesma intensidade — e com uma voz mais bonita. Ele está certo ao dizer aos quatro ventos que esse é o papel da sua vida. Na história, tendo como cenário a França do século 19, ele vive um ex-prisioneiro que passou 19 anos na cadeia por ter roubado um pedaço de pão e, mesmo assim, continua sendo perseguido pelo implacável policial Javert (o péssimo Russell Crowe, mas falaremos dele adiante). Jackman encarna o personagem com garra, apesar de algumas vezes soar muito jovem para o fardo que o prisioneiro pede.

Samantha Barks é a grande revelação em Les Misérables
E, no meio de tudo isso, surge Samantha Barks como Éponine, uma estreante em cinema, mas PhD em Les Misérables. A atriz/cantora britânica estrelou a produção musical em Londres por quase dois anos e foi selecionada para interpretar o papel no concerto pelo 25<SC210,186> aniversário. Provavelmente por isso, além de ter uma voz que destoa dos demais colegas, é a única no enorme elenco a passar a interpretação e a qualidade vocal existentes no palco e que o personagem exige. Apesar de Anne e Jackman serem ótimos e segurarem as cenas, a estrutura do roteiro torna superficial o percurso individual não só deles, mas de todas as figuras existentes na trama.

Anne Hathaway e Hugh Jackman foram indicados ao Oscar
Tanto que o filme cai vertiginosamente ao entrar no conflito político da época, quando jovens buscam apoio para uma revolução. O contexto mal explicado deixa tudo muito vazio, não conseguindo estabelecer um elo com o espectador. O fato épico se torna banal e desnecessário, parecendo apenas birra de criança.
O ritmo totalmente atropelado contribui para isso. Não há espaço para o silêncio, para um respiro que seja para reflexão, tão necessário para um texto denso e 99% cantado. Ou seja, a história não se sustenta e os números que no musical exalam o que há de melhor na trama de Victor Hugo passam aos supetões.

Helena Bonham Carter: atuação caricata perde sentido
O relacionamento entre Cosette (a apagada Amanda Seyfried) e Marius (vivido pelo talentoso Eddie Redmayne) é o melhor exemplo. Não há como torcer pelos dois, já que a construção do romance é pincelada ao ponto de deixar mais fictício que um conto de fada. E o que acontece com Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter (como Monsieur e Madame Thénardier) é ainda pior. Eles transformaram o único ponto de escape na sofredora história em algo tão caricato que, ao invés de pilantras aproveitadores divertidos, eles nada mais são que dois palhações de quinta.

Russell Crowe desliza no papel do policial Javert 
E aí temos Russell Crowe. A sensação que se tem durante todo o filme é que ele está constrangido por cantar, como se fosse ele o preso, obrigado a fazer tudo aquilo. Além de parecer que tem um ovo na boca, ele não expressa qualquer tipo de reação, como o ódio existente por Jean Valjean, tão imprescindível para permear a trama.

Como se não bastasse, tudo é muito previsível. Sabe o close-up dito no início do texto? Se prepare, porque eles virão aos montes. Tom Hooper pode ter inovado na forma de cantar, mas na hora de filmar pesou a mão. Depois de Anne brilhar na cena, os números posteriores, e são muitos, seguem exatamente o mesmo estilo superfechado no rosto do ator. Ele não explora cenários, planos ou qualquer coisa que torne a cena única. É igual do começo ao fim. O resultado é simples: quem não assistiu ao musical em “carne e osso” pode até gostar e mesmo ir às lágrimas. Os demais perceberão que a adaptação de um dos melhores musicais de todos os tempos é fraca e, pior, frustrante.



terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Garoto de Paulínia será protagonista do musical O Rei Leão


O elenco definitivo do musical O Rei Leão, que estreia em São Paulo, no dia 28 de março, foi anunciado na manhã de ontem pela produtora Time For Fun, confirmando que a peça terá talento da região abrilhantando o palco do Teatro Renault. O aluno do Projeto Paulínia Ao Vivo, do Espaço Popular das Artes, Gustavo Fernandes Bonfim, de 11 anos, não só fará a versão nacional do maior fenômeno da Broadway como será o protagonista. Ele alternará o papel do jovem Simba com mais dois garotos, após seis meses de testes com 500 crianças pré-selecionadas de todo o País, avaliadas pela equipe da Disney International.

Com a possibilidade real de conseguir o papel, Gustavo teve uma preparação intensa. Ao ser pré-selecionado, o jovem passou por um workshop especial com as professoras e coreógrafas do projeto para estar mais preparado para o teste final. “Estamos muito contentes pelo fantástico resultado atingido pelo Gustavo e esperamos preparar cada vez mais talentos para o mercado”, contou, na época, Roselita Beraldo, diretora do Departamento de Dança. A mãe de Gustavo, Valdete Bonfim, também está pronta para acompanhar o filho nessa nova jornada. “Vamos nos dedicar totalmente. Recebi a notícia com o coração cheio de alegria, emoção e reconhecimento.”

Na peça, o jovem Simba precisa enfrentar a perda do pai, além de crescer achando que foi culpado pelo ocorrido. Tiago Barbosa será o Simba adulto, mas ele entra em cena apenas no final do primeiro ato. Ou seja, Gustavo será a estrela do musical na maior parte do tempo. O elenco conta ainda com Osvaldo Mil no papel de Scar, César Mello como Mufasa, Rodrigo Candelot como Zazu, Marcelo Klabin será Pumba, Ronaldo Reis o Timão, Josi Lopes interpretará Nala, Jorge Neto é Banzai, Juliana Peppi viverá Shenzi e Felippe Morais fecha como Ed. Mas o destaque fica mesmo com a atriz Phindile Mkhize. Ela, que faz parte do elenco da Broadway, também será Rafiki na versão nacional.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Realeza dos musicais, O Rei Leão chega a São Paulo


Atores da Broadway vieram a São Paulo para apresentar as versões em português de Gilberto Gil do musical O Rei Leão
Fábio Trindade

Quando o produtor e presidente da Disney Theatrical Group, Thomas Schumacher, perguntou para dezenas de jornalistas quem já havia assistido ao clássico desenho O Rei Leão, ele brincou ao fazer uma expressão de surpresa assim que todos levantaram as mãos. “Everybody, yeah.” Mas ele deixou claro que tratava-se de uma pergunta retórica, já que, afinal, “estamos falando da maior animação de todos os tempos”. Porém, chegar a esse resultado, garante o executivo, não foi nada fácil. Cerca de 450 profissionais, entre artistas, animadores, escritores, compositores, letristas e desenhistas “juntaram-se para transformar uma sinopse de quatro páginas, que dizia tratar-se de animais e que teria uma guerra, sem fala, sem música, no filme que todos conhecemos”.

Rafiki canta Circle of Life em SP
Baseando-se no exemplo de A Bela e a Fera anos antes, um sucesso também na adaptação para os palcos com um musical homônimo, a Disney rapidamente quis fazer o mesmo com O Rei Leão. “Mas em A Bela e a Fera falamos de humanos que se vestem de personagens, com castelos, vilas. Bem diferente de trazer a vida selvagem, os animais para o palco. Essa foi a pior ideia que já ouvi”, respondeu de prontidão Schumacher, na época. A opinião foi mudando rapidamente assim que ele conversou com a diretora Julie Taymor. “Não tem humanos no filme, mas tem humanidade nos personagens”, ela respondeu.

Após um trabalho árduo, veio o resultado: a maior bilheteria da história da Broadway, com US$ 853,8 milhões de arrecadação desde a estreia, em 1997. E esse não é o único feito. A produção ganhou seis prêmios Tony (o Oscar dos musicais), passou por 19 países, em sete línguas (japonês, alemão, coreano, francês, holandês, mandarim e espanhol), bateu a marca de 65 milhões de espectadores e faturou US$ 4,8 bilhões mundo afora. Ufa.

Já estava na hora de o Brasil ter a oportunidade de assistir a O Rei Leão. E foi isso que Schumacher e Julie, em um teatro com folhas secas, iluminação e decoração em tons pastéis, cheiro de natureza e clima de savana, vieram contar na última terça-feira, em São Paulo. O musical, pela primeira vez na América Latina, entra em cartaz no Teatro Abril (futuro Teatro Renault), na Capital, em março de 2013. Os detalhes foram apresentados à imprensa na ocasião, além das versões em português de quatro canções da produção, incluindo os sucessos Circle of Life e Can’t You Feel The Love Tonight, de Elton John. A pré-venda exclusiva, com 20% de desconto, para clientes dos cartões de crédito Bradesco, Bradesco Seguros e American Express Membership Cards começa no próximo dia 20 e vai até 28 de novembro.

Nala interpreta Shadowland em português no Abril
A missão de transpor as canções para o português ficou com Gilberto Gil, que também participou do lançamento do espetáculo. “Traduzir é sempre arriscado. O tradutor corre o risco de perder a alma. Muito do sucesso se atribui ao tradutor. Estamos trabalhando nas versões do próprio musical, o que é enriquecedor”, disse o músico, completando que é bom ter duas versões da mesma música, referindo-se ao fato de o filme também ter traduções para o português. “Quem ganha é o público.”


Gilberto Gil, Julie Taymor e Thomas
Schumacher durante coletiva
E, mesmo considerando-se um compositor eclético — “escrevi até jingle no início de carreira, tenho certo gosto pela variedade”, diz —, Gil confessa que relutou quando recebeu a proposta. “Mas tive muito apoio em casa. Minha mulher, Flora, e meus netos me animaram. São todos fãs de O Rei Leão.” A história, continua o músico, também o cativa, já que “tem essa questão de redenção, da família, a tarefa de levar o processo redentor. É um pouco da minha história também, e um pouco do que me atraiu para a peça.”

Como o espetáculo ainda está em fase de audição para a definição do elenco, os números musicais foram encenados pelos atores da Broadway que dão vida aos personagens Simba, Nala e Rafiki. Circle of Life ficou como Ciclo da Vida mesmo e Can You Feel the Love Tonight virou Dá Pra Ver o Amor Aqui. As músicas Shadowland e He Lives in You, que fazem parte apenas do musical, são, respectivamente, Onde a Jornada Termina e Está em Ti.


Simba durante He Lives In You
Adaptação
Entre os destaques de O Rei Leão estão o figurino e o cenário, adaptados também por Julie Taymor. “Quando comecei a montar o espetáculo, pensei em como reproduzir a personalidade de cada um desses animais. Não queríamos fazer bichos peludinhos, mas trabalhar com os aspectos humanos deles. Fizemos algo artesanal e tátil. Então cada fantasia é muito individual”, explica.

Para isso, Taymor abusou de peças conceituais feitas com materiais e estampas da cultura africana, além de técnicas antigas de teatro de fantoches. “Atualmente, são usadas muitas projeções no teatro, mas não gostamos dessa ideia. Por isso, preferimos dar uma cara de feito à mão. Queria tornar os mecanismos usados para dar movimento aos personagens como parte do espetáculo. Me inspirei muito no Carnaval brasileiro e no Teatro Chinês para isso”, revela a diretora, que levou o Tony de melhor figurino pela peça.


Saiba Mais
O presidente da Time For Fun, Fernando Alterio, anunciou durante o lançamento de O Rei Leão que o contrato de no mínimo cinco anos entre a T4F e a Disney Theatrical Group contempla, além do espetáculo que estreia em março, outras duas produções. Então, o Teatro Abril receberá nos próximos anos, na sequência, os musicais A Pequena Sereia e Mary Poppins.

Nala e Simba cantam a música mais emblemática: Can You Feel The Love Tonight
Ponto de vista
O português ensaiado dos atores da Broadway infelizmente prejudicou o entendimento das letras de Gilberto Gil, mesmo assim, a força das canções de O Rei Leão já provou que o espetáculo tem tudo para ser um sucesso por aqui também. Como amante incondicional de musicais, assisti à obra-prima da Disney em Nova York, exatamente com os artistas que vieram ao Brasil semana passada — com direito a ter o CD da trilha sonora no carro. E, por isso, posso dizer que não existe, atualmente, outra produção tão boa quanto e que ainda não tenha vindo ao País para brilhar nos palcos brasileiros. Os dois musicais anunciados pela T4F para continuar o legado Disney em São Paulo (A Pequena Sereia e Mary Poppins) também são espetaculares, mas nada se compara a O Rei Leão — nem mesmo A Bela e a Fera. A perfeição com que os animais foram transportados para o palco, a cenografia inusitada e diferente de qualquer outro musical que eu tenha visto — e são muitos — e a intensa história da peça merecem qualquer esforço para conseguir assistir às deliciosas três horas de show. Até porque, a cena inicial, o Ciclo da Vida, por si só, já vale o ingresso. Não tem, acredite, nada igual.

Figurino é um dos pontos altos do musical O Rei Leão
Serviço

O quê: Musical O Rei Leão

Quando: Estreia em março de 2013. Quartas, Quintas e Sextas, às 21h, Sábados, às 16h30 e 21h, e Domingos, às 15h30 e 20h.

Onde: Teatro Abril - futuro Teatro Renault (Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411, Bela Vista, São Paulo, fone: 4003-5588)
Quanto: De R$ 50,00 a R$ 280,00. Pré-venda exclusiva clientes Bradesco de 20 de outubro a 28 de novembro.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Quatro musicais nacionais entram para o ranking



O trio protagonista de Priscilla - A Rainha do Deserto
Atualizar o ranking é sempre algo muito gostoso, pois significa que a lista cresceu. Tudo bem, precisamos ser realistas também, já que, muitas vezes, a produção decepciona e avaliar qual peça é pior para saber onde encaixar o espetáculo não é nada legal. Quem dera sair do teatro toda vez e dizer UAU! Ultimamente, esse não é o caso.

Mas vamos lá, tentando deixar o pessimismo de lado, até porque temos coisas boas sim. Incluí quatro musicais no meu ranking (confesso que fiquei ausente por um período, mas vou recuperar o tempo perdido). Começando por Priscilla – A Rainha do Deserto. O musical é ótimo, divertido, muito colorido e com um elenco incrível. Sem dúvida o destaque é André Torquato como Felícia – hilário e surpreendente. Sem contar que o repertório é recheado de sucessos - It’s Raining MenMaterial GirlTrue Colors, I Will Survive - dançantes e animados, que com certeza deixam qualquer produção com uma energia fenomenal. O figurino é impecável. Problema: não fazer versões de canções que não são parte da história e que servem apenas como parte do show como um número musical é uma coisa. Mas manter na versão original músicas necessárias para o entendimento da história é falha gravíssima. Restringe o público e decepciona quem foi assistir e não sabia desse detalhe. Não é todo mundo que fala inglês. Provavelmente por isso, já no primeiro mês, o teatro estava com publico mediano. Estamos no Brasil. Quem vai na Broadway sabe o que esperar!

Cena do musical Xanadu, de Miguel Falabella
O segundo foi Xanadu. Quase tive uma síncope de tanto rir, principalmente pelos erros e improvisos de Miguel Falabella, que esqueceu o texto e nome de personagens diversas vezes (até cantou com a letra na mão), e se atrapalhava o tempo todo com o cenário e figurino. Agora, Danielle Winits, minha querida, você está péssima. Fica na comédia e na televisão, mas abandona a vida de musicais. Aliás, Xanadu deveria perder a classificação de musical apenas porque Winits dubla – sim gente, ela não canta, dubla – a principal música da personagem. As poucas que canta, desafina que dá dó...de nós que pagamos para ver aquilo. O resto do elenco é ótimo, mas a comédia pastelão tem hora que perde a mão.

Fame – O Musical, é o terceiro da lista. Sobre esse, fiz uma crítica bem detalhada e publiquei aqui no Blog. Não deixem de ver.

Elenco de New York, New York
E o último foi New York, New York. Que músicas lindas, que voz linda de Kiara Sasso, cada vez mais impressionante, como se ainda fosse possível. Mas, não sei nem como dizer isso, de quem foi a ideia de fazer um musical em inglês e COLOCAR LEGENDA SIMULTÂNEA PARA O PÚBLICO E, PIOR, NA PARTE DE CIMA DO PALCO, PARA TODO MUNDO PERDER A CENA??? Parece piada pronta. Ou faz um musical nacional, já que estamos aqui, ou assume a bronca (como Priscilla) e deixa que o público se vire. Essa vergonha, como está, não dá. A história é média, muitos erros de sequência, sem contar lacunas absurdas na trama. Juan Alba surpreende. Canta bem, segura o papel e até dá show. Kiara, meu Deus, eleva a qualidade desse espetáculo. Apenas ouvi-la já vale (o ingresso está a preço popular – R$ 40,00 e R$ 20,00). Porém, tem solos imensos e fracos, como dois de sapateado intermináveis e seguidos. Quebra o ritmo e perde a qualidade.

Bom..a lista ficou assim:

1.      O Fantasma da Ópera
2.      Les Miserables
3.      Love Never Dies
4.      O Rei Leão
5.      A Bela e a Fera
6.      Wicked
7.      Mary Poppins
8.      Hairspray
9.      Jekyll & Hyde - O Médico e o Monstro
10.  A Família Addams
11.  A Noviça Rebelde
12.  Mamma Mia
13.  Cabaret
14.  Priscilla – A Rainha do Deserto
15.  Miss Saigon
16.  Um Violinista no Telhado
17.  Chicago
18.  Gypsy
19.  Xanadu
20.  As Bruxas de Eastwick
21.  A Gaiola das Loucas
22.  Hair
23.  New York, New York
24.  Fame
25.  Evita
26.  South Pacific
27.  Cats
28.  Aladdin

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A Família Addams prorroga temporada em São Paulo

Marisa Orth e Daniel Boaventura em A Família Addams

Em cartaz desde março no Teatro Abril, em São Paulo, o musical A Família Addams, que já atingiu a marca de 200 mil espectadores, prorrogou a temporada até 28 de outubro. A montagem, que tem no elenco os impagáveis Marisa Orth e Daniel Boaventura, dando vida ao irresistível casal Morticia e Gomez Addams, é a primeira fora dos Estados Unidos. Na Broadway, o espetáculo se tornou um dos mais bem-sucedidos quando estreou em abril de 2010, em Nova York, faturando mais de US$ 85 milhões — sua última apresentação na cidade aconteceu no dia 31 de dezembro do ano passado. O elenco conta ainda com Laura Lobo no papel da filha Wandinha e, Gustavo Daneluz, Matheus Lustosa e Nicholas Torres aprontam todas na pele do filho mais novo Feioso. Já Iná de Carvalho é a Vovó Addams e Claudio Galvan é Fester, enquanto Rogério Guedes faz o mordomo Tropeço. Completam o elenco principal, Wellington Nogueira, Paula Capovilla e Beto Sargentelli. A versão brasileira é assinada por Claudio Botelho, com direção de Jerry Zaks, coreografia de Sergio Trujillo e direção musical de Mary-Mitchell Campbell.

Agende-se
O quê: A Família Addams
Quando: até 28 de outubro, às quintas e sextas, às 21h, sábados às 17h e 21h, e domingos às 16h e 20h.
Onde: Teatro Abril (Avenida Brigadeiro Luis Antonio, 411, Bela Vista, São Paulo)
Ingressos: As entradas custam de R$70 (Balcão A) a R$250 (Plateia VIP).